Sinusite ou problema dentário? Quando uma infeção de um dente pode afetar o seio maxilar
Congestão nasal, pressão na face, secreção ou sensação de sinusite nem sempre têm origem exclusivamente nasal.
As raízes dos dentes posteriores superiores podem estar muito próximas do seio maxilar. Quando existe uma infeção endodôntica nesses dentes, a inflamação pode atingir a mucosa do seio e, em alguns casos, originar sinusite maxilar de origem endodôntica.
É uma situação particularmente importante porque o paciente pode ter sintomas sinusais e praticamente nenhum sintoma dentário.
Qual é a relação entre os dentes e o seio maxilar?
O seio maxilar é uma cavidade cheia de ar localizada no osso da maxila, por cima dos pré-molares e molares superiores.
A distância entre as raízes e o pavimento do seio varia muito. Em algumas pessoas existe uma camada óssea relativamente espessa; noutras, as extremidades das raízes estão muito próximas da mucosa sinusal.
Por isso, uma inflamação junto à raiz pode repercutir-se no seio.
Que problema dentário pode provocar sinusite?
A situação clássica é um dente com polpa necrosada e infeção do sistema de canais, ou um dente previamente tratado endodonticamente que apresenta doença persistente.
A inflamação periapical pode causar espessamento da mucosa do seio e, quando progride, contribuir para uma sinusite maxilar de origem dentária.
Uma infeção dentária pode ser silenciosa, o que explica porque alguns pacientes não associam os sintomas nasais a um dente.
Que sintomas podem levantar suspeita?
Podem existir congestão nasal, corrimento, secreção posterior, pressão facial ou odor desagradável.
Uma sinusite predominantemente de um lado, recorrente ou resistente a tratamentos médicos pode justificar a exclusão de uma origem dentária, sobretudo quando existem dentes posteriores superiores com problemas conhecidos.
Isso não significa que toda a sinusite unilateral venha dos dentes. Significa que a hipótese deve ser considerada.
Porque pode não existir dor de dentes?
O dente responsável pode ter polpa necrosada e, portanto, já não responder ao frio ou ao calor.
Além disso, quando a inflamação drena em direção ao seio maxilar, pode não existir a pressão típica que provoca dor intensa, inchaço ou fístula na boca.
Por isso, a ausência de dor dentária não exclui a origem endodôntica.
Um antibiótico resolve?
Pode melhorar temporariamente alguns sintomas, mas se existir um sistema de canais infetado, o foco bacteriano permanece.
Tal como noutras infeções endodônticas, é necessário tratar a origem através de tratamento endodôntico, retratamento ou outra abordagem indicada.
Tomar sucessivos antibióticos sem identificar e tratar a origem pode explicar algumas sinusites aparentemente “resistentes”.
Como se faz o diagnóstico?
A avaliação começa pela história clínica e pelos testes aos dentes da região: resposta pulpar, percussão, palpação, sondagem e análise de tratamentos anteriores.
As radiografias periapicais podem mostrar alterações junto às raízes, mas têm limitações devido à sobreposição do seio e das estruturas dentárias.
A tomografia computorizada de feixe cónico (CBCT) pode ser particularmente útil em casos selecionados porque mostra tridimensionalmente raízes, lesões periapicais e alterações da mucosa sinusal.
Ainda assim, a imagem não deve ser interpretada isoladamente. Um espessamento da mucosa pode ter muitas causas e é necessário confirmar se existe realmente um dente infetado.
E se o dente já tiver tratamento endodôntico?
É importante avaliar a qualidade do tratamento e procurar possíveis causas de persistência: canais não tratados, anatomia complexa, infiltração ou outras complicações.
Nestas situações pode estar indicado um retratamento endodôntico ou, quando a abordagem interna não é adequada, uma solução cirúrgica.
É necessário tratamento por um otorrinolaringologista?
Alguns casos resolvem depois de eliminada a origem dentária. Outros apresentam doença sinusal mais extensa ou alterações que exigem avaliação e tratamento conjunto com Otorrinolaringologia.
A colaboração entre especialidades é especialmente importante quando os sintomas persistem apesar do tratamento do dente ou existe obstrução sinusal significativa.
Porque esta situação pode passar despercebida?
O paciente com sintomas de sinusite procura naturalmente o médico ou otorrinolaringologista. Se não existe dor dentária, a hipótese odontogénica pode não ser imediatamente evidente.
Da mesma forma, uma alteração no seio observada numa CBCT dentária não deve ser automaticamente atribuída a um dente sem confirmação clínica.
O diagnóstico correto exige juntar os dois lados da história.
Tratar o dente pode ser a chave para tratar o seio
Quando a origem é verdadeiramente endodôntica, controlar a infeção do dente é uma parte essencial do tratamento da doença sinusal.
No Instituto Português de Endodontia, avaliamos dentes posteriores superiores com suspeita de relação com o seio maxilar através de testes clínicos e CBCT de campo reduzido quando indicado.
Se tem sinusites recorrentes de um lado, sobretudo associadas a um dente superior tratado, com cárie profunda ou suspeita de infeção, uma avaliação endodôntica pode ajudar a esclarecer se existe uma origem dentária que ainda não foi identificada.
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