Reabsorção dentária: o que é e porque pode destruir o dente?

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A reabsorção dentária é um processo em que o próprio organismo começa a destruir tecidos mineralizados do dente, como dentina e cemento.

Pode desenvolver-se no interior ou na superfície da raiz, muitas vezes sem dor. Quando não é identificada a tempo, pode comprometer uma quantidade importante de estrutura dentária.

Apesar disso, reabsorção não significa automaticamente perda do dente. O tratamento e o prognóstico dependem do tipo, localização, extensão e momento do diagnóstico.

Porque é que um dente começa a ser reabsorvido?

Em condições normais, a superfície da raiz está protegida contra células capazes de reabsorver tecido mineralizado.

Quando essa proteção é alterada, por trauma, inflamação, infeção ou outros fatores, pode iniciar-se um processo de reabsorção.

Nem sempre é possível identificar uma causa única.

Existem diferentes tipos de reabsorção?

Sim, e distingui-los é essencial porque o tratamento é diferente.

De forma simplificada, podemos falar em:

  • reabsorção interna, que começa no interior do sistema de canais;
  • reabsorções externas, que começam na superfície da raiz;
  • reabsorção cervical externa, que se inicia habitualmente perto da zona cervical do dente;
  • reabsorções inflamatórias ou relacionadas com substituição por osso, frequentemente associadas a determinados traumatismos.

A European Society of Endodontology possui recomendações específicas para diagnóstico e tratamento destas situações.

A reabsorção provoca dor?

Muitas vezes, não.

Uma reabsorção pode ser descoberta por acaso numa radiografia de rotina. Outras tornam-se visíveis porque o dente muda de cor, surge um defeito junto à gengiva ou aparecem sintomas relacionados com a polpa ou os tecidos periapicais.

É precisamente esta capacidade de evoluir silenciosamente que torna o diagnóstico precoce importante.

Como aparece numa radiografia?

O aspeto depende do tipo de reabsorção.

Na reabsorção interna, pode observar-se um alargamento mais regular do espaço do canal. Nas reabsorções externas, a imagem pode sobrepor-se à raiz e tornar difícil perceber a verdadeira extensão numa radiografia bidimensional.

É nestas situações que a tomografia computorizada de feixe cónico (CBCT) de campo reduzido pode ser particularmente útil.

Porque é que a CBCT pode mudar o plano de tratamento?

A CBCT permite avaliar a lesão em três dimensões.

Pode mostrar quanto da raiz está envolvido, a extensão circunferencial, a proximidade ao canal e a existência de perfurações ou perda óssea associada.

Esta informação pode transformar uma imagem aparentemente pequena numa lesão mais extensa, ou revelar que um caso que parecia muito desfavorável está afinal localizado e acessível.

A tecnologia é útil porque melhora a capacidade de classificar e planear, não porque substitui o exame clínico.

Como se trata uma reabsorção interna?

Se o processo estiver ativo e o dente puder ser preservado, o tratamento endodôntico é frequentemente indicado para remover o tecido pulpar responsável pela manutenção da reabsorção e desinfetar o sistema de canais.

A irregularidade criada dentro da raiz pode exigir técnicas específicas de irrigação e obturação.

O tratamento endodôntico deve ser adaptado à anatomia criada pela lesão.

E uma reabsorção externa?

O tratamento varia muito conforme o mecanismo.

Algumas reabsorções inflamatórias exigem controlo da infeção endodôntica. Outras podem necessitar de tratamento externo da superfície radicular, cirurgia ou uma combinação de abordagens.

Na reabsorção cervical externa, por exemplo, é essencial conhecer a extensão tridimensional antes de decidir se é possível remover o tecido reabsortivo e restaurar o defeito.

Um traumatismo pode causar reabsorção anos depois?

Sim.

Determinados traumatismos, sobretudo luxações e avulsões, podem danificar as estruturas protetoras da raiz e desencadear reabsorções posteriormente.

É uma das razões pelas quais o acompanhamento após traumatismo dentário pode ser necessário mesmo quando o dente parece inicialmente bem.

Quando o prognóstico é desfavorável?

Lesões muito extensas, que destroem grande parte da raiz ou comprometem profundamente o suporte periodontal e a restaurabilidade, podem tornar a preservação pouco previsível.

O importante é identificar esta situação antes de realizar tratamentos complexos sem benefício realista.

Diagnosticar cedo pode fazer uma grande diferença

A reabsorção é uma das áreas em que alguns milímetros podem alterar completamente o plano.

No Instituto Português de Endodontia, estes casos são avaliados com exame clínico, microscopia e CBCT quando indicado, procurando determinar o tipo de reabsorção, extensão e relação com a polpa e o periodonto.

Se foi identificada uma reabsorção e existe dúvida sobre a possibilidade de preservar o dente, uma segunda opinião antes da extração pode ajudar a definir o prognóstico com maior precisão.

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