Que exames deve levar para uma consulta de Endodontia?

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Se vai a uma consulta de Endodontia, sobretudo para avaliar um caso complexo ou pedir uma segunda opinião, é natural perguntar o que deve levar consigo.

A resposta simples é: traga toda a informação recente que possa ajudar a reconstruir a história do dente, mas não adie a consulta por não ter exames disponíveis.

Radiografias e tomografia computorizada de feixe cónico (CBCT) podem ser muito úteis, mas só fazem sentido quando são interpretadas juntamente com os sintomas e o exame clínico.

Radiografias periapicais recentes

Se o seu médico dentista realizou radiografias do dente, é útil levá-las em formato digital sempre que possível.

As radiografias periapicais permitem avaliar raízes, tratamentos endodônticos anteriores, restaurações, perda óssea e alterações junto à extremidade da raiz.

Uma imagem de boa qualidade pode evitar repetir um exame desnecessariamente.

Mesmo assim, pode ser necessária uma nova radiografia com outro ângulo ou enquadramento se a anterior não mostrar a região de interesse com detalhe suficiente.

E a ortopantomografia?

A radiografia panorâmica pode ser útil para obter uma visão global da boca, mas geralmente tem menos detalhe para avaliar um dente individual do que uma radiografia periapical.

Se já a tem, pode trazê-la. No entanto, não substitui necessariamente as imagens específicas necessárias para um diagnóstico endodôntico.

Se já fez uma tomografia, traga o exame completo

Se existe uma CBCT recente da região, é particularmente importante trazer não apenas algumas imagens impressas ou capturas de ecrã, mas, se possível, o estudo digital completo.

O ideal é disponibilizar os ficheiros DICOM ou o acesso à plataforma onde o exame está alojado. Isso permite navegar pelos diferentes planos, ajustar cortes e estudar tridimensionalmente a área de interesse.

Uma única imagem selecionada da CBCT não contém toda a informação do exame.

A tomografia terá de ser repetida?

Não necessariamente — e nunca apenas por ter sido realizada fora do IPE.

Um CBCT externo pode ser perfeitamente útil e diagnóstico se for recente, incluir corretamente a região de interesse e tiver resolução e parâmetros adequados à questão endodôntica que se pretende esclarecer. Por isso, o primeiro passo é sempre avaliar o exame existente.

Contudo, nem todos os exames CBCT são equivalentes para Endodontia. Campo de visão (FOV), resolução espacial, dimensão do voxel, parâmetros de aquisição, posicionamento, reconstrução, artefactos e centragem da região de interesse podem alterar de forma importante a informação disponível.

Em Endodontia procuramos frequentemente canais muito finos, pequenas perfurações, reabsorções, alterações periapicais subtis, instrumentos fraturados ou outros detalhes de dimensões reduzidas. Um exame com FOV excessivamente amplo, voxel demasiado grande, resolução insuficiente, artefactos significativos ou região mal centrada pode não responder à pergunta clínica, mesmo sendo tecnicamente um CBCT.

A qualidade da aquisição e a adaptação do protocolo à pergunta clínica são tão importantes como o simples facto de “ter feito um CBCT”.

Quando o exame existente é adequado, deve ser aproveitado. Só se considera uma nova aquisição quando existe uma justificação clínica concreta e a informação disponível não é suficiente.

É frequente precisar de CBCT numa consulta de Endodontia?

A CBCT em Endodontia não é um exame obrigatório para todos os pacientes. No entanto, numa avaliação especializada existe frequentemente uma possibilidade relevante de vir a ser indicada, sobretudo em diagnósticos difíceis, dentes previamente tratados, retratamentos, anatomia complexa, suspeita de canais não tratados, lesões persistentes, reabsorções, perfurações, instrumentos fraturados, calcificações, suspeita de fratura ou planeamento de microcirurgia.

A informação tridimensional pode revelar detalhes que não são visíveis numa radiografia convencional e, em alguns casos, modificar o diagnóstico, o prognóstico ou o plano de tratamento.

No Instituto Português de Endodontia dispomos do Morita Veraview X800, utilizado com protocolos especificamente otimizados para Endodontia. Quando clinicamente indicado, permite aquisições de alta resolução, incluindo FOV de 4 × 4 cm e voxel de 80 μm.

Quando é necessário realizar um novo exame no próprio IPE, o Endodontista pode definir previamente a região exata a estudar e os parâmetros mais adequados à pergunta clínica. Isto permite orientar a aquisição para o problema concreto em vez de realizar uma tomografia genérica.

Relatórios de radiologia também são úteis

Se recebeu um relatório associado à CBCT ou a outro exame de imagem, deve trazê-lo.

O relatório fornece a interpretação do médico dentista ou médico radiologista responsável pelo exame e pode chamar a atenção para alterações que ultrapassam a região do dente em causa.

A avaliação endodôntica complementa essa informação com os testes clínicos e a pergunta específica que levou à consulta.

Informação sobre tratamentos anteriores

Num dente já tratado, saber o que foi feito e quando pode ser tão importante como a radiografia.

Se tiver acesso, são úteis:

  • data do tratamento endodôntico;
  • radiografias antes e depois do tratamento;
  • informação sobre retratamentos anteriores;
  • tipo e data de colocação de coroas ou espigões;
  • relatórios de cirurgia;
  • episódios prévios de dor, inchaço ou antibióticos;
  • informação sobre traumatismos do dente.

Nem sempre estes dados estão disponíveis. A sua ausência não impede a consulta.

Leve o plano de tratamento que lhe foi proposto

Se está a pedir uma segunda opinião, pode ser útil trazer a proposta ou explicação recebida anteriormente.

Por exemplo, se lhe recomendaram extração, retratamento, implante ou cirurgia, saber exatamente qual foi a proposta ajuda a compreender a questão que pretende esclarecer.

A segunda opinião não tem como objetivo “contrariar” o primeiro profissional, mas avaliar o caso de forma independente e perceber quais as alternativas previsíveis.

Pode consultar também “Antes de extrair um dente, vale a pena pedir segunda opinião?”.

Não se esqueça da informação médica

A consulta de Endodontia não avalia apenas o dente.

É importante informar sobre medicação habitual, alergias, diabetes, anticoagulantes e antiagregantes, imunossupressão, gravidez, doenças cardiovasculares, tratamentos oncológicos, medicação para osteoporose ou outras condições relevantes.

Não deve suspender medicamentos por iniciativa própria para fazer uma consulta ou tratamento dentário.

Fotografias ou imagens no telemóvel podem ajudar?

Podem ser úteis como informação complementar, por exemplo para mostrar um episódio de inchaço que entretanto desapareceu.

No entanto, uma fotografia de uma radiografia ou CBCT no ecrã de um telemóvel perde detalhe e não substitui o ficheiro original quando é necessário fazer uma análise diagnóstica rigorosa.

E se não tiver absolutamente nada para levar?

Venha na mesma.

Sobretudo perante dor, inchaço ou outra situação que precisa de diagnóstico, não faz sentido adiar a avaliação enquanto tenta recuperar exames antigos.

Durante a consulta podemos determinar quais os testes e imagens realmente necessários.

No artigo “O que acontece numa consulta de avaliação no Instituto Português de Endodontia?” explicamos todo o processo de diagnóstico e planeamento.

Trazer mais informação não significa fazer mais exames

O objetivo de reunir exames anteriores é precisamente aproveitar informação válida e evitar repetições desnecessárias.

No Instituto Português de Endodontia, começamos pela história clínica e pelo exame. Radiografias, CBCT e microscopia são utilizados quando ajudam a responder a uma pergunta concreta.

Se vai pedir uma segunda opinião ou avaliar um dente já tratado, reúna aquilo que tiver disponível. O exame mais importante continua, contudo, a ser aquele que resulta da integração entre a história do paciente, os testes clínicos e a imagem adequada ao caso.

Tem dúvidas sobre o seu caso? Fale connosco diretamente no WhatsApp.

A nossa equipa está disponível para esclarecer as suas questões e ajudá-lo a agendar a sua consulta no Instituto Português de Endodontia.

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