Antibiótico pode curar uma infeção dentro de um dente?
Quando aparece dor, inchaço ou uma infeção dentária, é comum pensar imediatamente em antibióticos. Mas, em Endodontia, o antibiótico raramente é o tratamento principal da causa.
Pode ser necessário em determinadas situações, mas não substitui a desinfeção do sistema de canais quando a origem da infeção está no interior do dente.
Porque é que um antibiótico pode não resolver uma infeção endodôntica?
Quando a polpa de um dente necrosa, perde a circulação sanguínea normal. As bactérias conseguem colonizar o sistema de canais, incluindo zonas muito pequenas e irregulares.
Um antibiótico administrado por via sistémica chega aos tecidos através do sangue. Num espaço necrosado e sem circulação eficaz, a capacidade de atingir todas as bactérias é limitada.
Por isso, a solução definitiva é geralmente remover o tecido contaminado, desinfetar os canais e selá-los através de tratamento endodôntico, ou realizar outro tratamento local adequado.
Então porque é que às vezes o antibiótico faz a dor melhorar?
Em algumas situações pode reduzir temporariamente a componente inflamatória ou controlar uma infeção que se está a espalhar pelos tecidos.
O paciente sente-se melhor, o inchaço diminui e parece que o problema desapareceu.
Mas, se a fonte bacteriana continuar dentro do dente, os sintomas podem regressar quando o antibiótico termina.
É a diferença entre controlar temporariamente as consequências e tratar a origem.
Quando são realmente necessários antibióticos?
Os antibióticos sistémicos podem estar indicados quando existem sinais de disseminação da infeção ou envolvimento geral do organismo.
Exemplos incluem febre, mal-estar, celulite, inchaço difuso ou progressivo e algumas situações em pacientes com condições médicas específicas.
A decisão deve ser individualizada pelo médico dentista, tendo em conta o quadro clínico e a história médica.
Dor de dente significa que preciso de antibiótico?
Não.
Uma pulpite, por exemplo, é uma inflamação da polpa que pode provocar dor extremamente intensa, mas não é tratada de forma eficaz apenas com antibiótico.
Da mesma forma, uma periodontite apical sintomática sem sinais de disseminação pode exigir tratamento local e controlo da dor, mas não necessariamente antibiótico.
Tomar antibióticos apenas porque “o dente dói muito” não é uma utilização adequada.
E se houver um abcesso?
Um abcesso localizado precisa sobretudo de controlo da origem da infeção.
Isso pode incluir drenagem, tratamento endodôntico ou, quando o dente não pode ser preservado, extração.
O antibiótico pode ser necessário quando a infeção ultrapassa o local inicial ou existem sinais sistémicos, mas não deve ser encarado como substituto do procedimento dentário.
Se tem inchaço na gengiva ou na face, deve ser avaliado para determinar a causa e a urgência.
Porque não devemos tomar antibióticos “por precaução”?
O uso desnecessário contribui para a resistência antimicrobiana, um dos grandes problemas de saúde pública atuais.
Também pode provocar efeitos adversos, incluindo alterações gastrointestinais, reações alérgicas e interações com outros medicamentos.
Por isso, as orientações da European Society of Endodontology e da American Association of Endodontists defendem uma utilização criteriosa e limitada às situações em que existe benefício clínico claro.
Posso tomar o antibiótico que sobrou de outra vez?
Não é aconselhável.
A escolha do antibiótico, dose e duração dependem da situação clínica, alergias, medicação habitual e fatores individuais.
Além disso, pode estar a tratar uma situação que nem sequer necessita de antibiótico e a atrasar o tratamento correto.
E os antibióticos antes de um tratamento dentário?
Alguns pacientes com condições médicas muito específicas podem necessitar de profilaxia antibiótica antes de determinados procedimentos dentários. Esta é uma questão diferente do tratamento de uma infeção.
A indicação deve ser baseada nas recomendações médicas e dentárias atuais e, quando necessário, articulada com o médico assistente.
O melhor “antibiótico” para uma infeção dentro do canal é tratar a causa
Em Endodontia, o controlo da infeção depende sobretudo do acesso ao sistema de canais, instrumentação, irrigação e selamento adequado.
É por isso que um dente com uma infeção silenciosa pode necessitar de tratamento mesmo sem febre ou dor intensa, e sem que haja indicação para antibióticos.
No Instituto Português de Endodontia, o objetivo é distinguir rapidamente situações que necessitam apenas de tratamento local das que exigem também medicação sistémica.
Se tem dor, inchaço ou suspeita de infeção, evite automedicar-se. O passo mais importante é identificar a origem do problema e tratá-la de forma adequada.
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