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Dente sensível ao frio ou calor: o que pode ser?

Quase toda a gente já passou por isto: beber água fria e sentir uma “picada” rápida num dente. Ou tomar um café quente e notar um desconforto inesperado. Às vezes passa e nunca mais acontece. Outras vezes repete-se… e começa a preocupar.

A sensibilidade ao frio ou ao calor nem sempre significa um problema grave, mas também não deve ser ignorada quando se torna frequente, intensa ou prolongada. Neste artigo, explicamos o que pode estar por trás dessa sensibilidade, quando é um sinal de alerta e o que deve fazer.

Porque é que um dente fica sensível?

Os dentes têm camadas. A parte externa é o esmalte, a “armadura” que protege o dente. Por baixo está a dentina, que tem microcanais ligados ao interior do dente. Quando essa dentina fica exposta, estímulos como frio e calor “chegam” mais facilmente à zona interna e podem provocar sensibilidade.

Isto pode acontecer por motivos simples, como desgaste, retração gengival ou uma pequena cárie. Mas também pode ser o primeiro sinal de inflamação da polpa dentária, a parte interna do dente onde existiam nervos e vasos sanguíneos.

Sensibilidade “normal” vs. sensibilidade que preocupa

A diferença mais importante não é só sentir sensibilidade, é perceber como ela se manifesta.

Quando a sensibilidade é ligeira, aparece apenas com frio (ou com doce), dura um ou dois segundos e desaparece logo, muitas vezes está associada a causas reversíveis, como:

  • retração gengival e exposição da raiz,
  • desgaste do esmalte,
  • pequenas infiltrações em restaurações,
  • dentes com bruxismo ou desgaste oclusal.

Já quando a sensibilidade é mais intensa, surge com frio e calor, ou dura muitos segundos, pode indicar inflamação mais séria dentro do dente.

E há um sinal muito típico: a dor que continua mesmo depois de retirar o estímulo. Se bebe algo frio e fica com dor durante 20, 30 segundos ou mais, isso já merece atenção.

Frio e calor dizem coisas diferentes

Em termos clínicos, o frio e o calor podem “contar histórias” diferentes.

Quando o dente reage ao frio com dor intensa e prolongada, pode haver inflamação significativa da polpa. Quando a dor é mais marcada ao calor, em alguns casos pode sugerir que a polpa está já muito comprometida, com alterações internas e, por vezes, um processo infeccioso instalado.

Isto não substitui um diagnóstico, mas ajuda a entender porque é que a mesma “sensibilidade” pode significar coisas muito diferentes de pessoa para pessoa.

E se a sensibilidade vier acompanhada de outros sinais?

Aqui entram os sinais de alerta mais claros. Se, além da sensibilidade, notar algum destes, é boa ideia não adiar:

  • dor ao mastigar ou ao morder,
  • sensação de pressão no dente,
  • dor espontânea, sem estímulo,
  • dor que acorda durante a noite,
  • dente escurecido,
  • gengiva inchada, ou “borbulha” na gengiva,
  • dor que parece irradiar para a face, ouvido ou cabeça.

Muitas vezes, o dente começa por “avisar” com sensibilidade e, se não for tratado, evolui para dor mais forte. Noutras situações, a dor pode até desaparecer quando o nervo deixa de responder, mas a infeção continua silenciosamente. Por isso, quando a sensibilidade muda de padrão, convém investigar.

Cárie, fissura, restauração antiga ou inflamação interna?

Há quatro causas muito comuns que vemos em consulta:

A cárie pode começar pequena e ser quase invisível, mas já estar a irritar o dente. Uma restauração antiga pode ter micro-infiltrações e permitir entrada de bactérias. Uma fissura pode provocar dor “estranha”, muito marcada ao morder e libertar a mordida. E, claro, pode existir inflamação dentro do dente, que em certas fases aparece primeiro como sensibilidade.

O ponto importante é este: a sensibilidade é um sintoma. O que interessa é descobrir a causa.

Quando é que pode ser necessário tratamento endodôntico?

Em Portugal, ainda se ouve muito a expressão “desvitalizar”, mas esse termo é popular e não é correto. O nome certo é tratamento endodôntico.

Este tratamento torna-se necessário quando a polpa está irreversivelmente inflamada ou infetada. Muitas vezes, a evolução é gradual: começa com sensibilidade, passa para dor prolongada, pode evoluir para dor espontânea e, se nada for feito, para infeção.

A boa notícia é que, quando diagnosticado a tempo, é possível salvar o dente e resolver a dor com grande previsibilidade.

O que pode fazer já, antes da consulta?

Se a sensibilidade for ligeira e ocasional, pode ser útil evitar temporariamente extremos de temperatura e usar uma pasta para dentes sensíveis. Mas se a sensibilidade é frequente, forte, prolongada ou está a piorar, o melhor passo é avaliar clinicamente.

O problema de “esperar para ver” é que a janela para um tratamento simples pode fechar, e o que era reversível pode tornar-se mais complexo.

Conclusão

Sensibilidade ao frio ou calor pode ser apenas um sinal de desgaste ou retração gengival… mas também pode ser o primeiro aviso de que algo dentro do dente está a começar a falhar.

Se a sua sensibilidade mudou, piorou, dura mais tempo, ou vem acompanhada de outros sintomas, vale a pena investigar cedo. Quanto mais cedo se identifica a causa, maior a probabilidade de resolver o problema de forma simples e de preservar o dente.

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